NEM AQUI, NEM ALI, NEM ACOLÁ¨

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domingo, 21 de outubro de 2018

Só a verdade vos libertará



             Evidentemente não estamos experimentando uma carência global da fé ou de algo poderoso como a verdade. O que temos é falta de confiança nas fontes da verdade. Dependemos de outros para transmitir-nos a maioria das coisas que aceitamos como verdade, embora raramente possamos verificar a veracidade daquilo que recebemos. Dificultando a verificação, o fato de que a maioria das fontes da verdade são diversas, muitas vezes difíceis de entender: mídia, política ou mesmo a ciência. Temos por exemplo, uma relação bipolar com a ciência, ora acreditamos na exatidão de algo cientifico, ora expressamos ceticismo sobre as conclusões de estudos como o que estabeleceu que o açúcar é o novo vilão da saúde.  Acreditamos que muitas pesquisas utilizam amostras que são pequenas demais, para alcançar conclusões generalizáveis.

A verdade é a maior vitima das escaramuças e debates municiados pelo desejo e afã de pessoas em demonstrar conhecimento imediato, mesmo que seja superficial, para justificar posições políticas ou reforçar um viés cultural. Vivenciamos assim uma cultura política de pouca curiosidade intelectual e alarmante dependência nas informações produzidas por especialistas, marqueteiros ou redes sociais. Uma atitude indiferente que motiva as pessoas a aceitar e compartilhar falsidades como sendo verdadeiras, transformando assim a Era da Informação em Era da Desinformação.

O aspecto tóxico da política, é que ninguém acredita mais em alguém que seja visto como um membro da elite política. Perguntamos então, se são descrentes de todos políticos por qual critério escolhem um candidato? Não ser um membro da elite política é algo positivo, porque sugere que a pessoa não tem tendência à mentira ocupacional. A outra vantagem é a capacidade do candidato de transmitir mensagens que ressoam com o que o eleitor quer ouvir. Estando presentes estas duas qualidades, não importa para muitos se o candidato fabrica histórias ou mente sobre outras. Assume-se, portanto, que todos políticos mentem, mas que pelo menos o nosso não é o mentiroso deles.

Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores



sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Fake news e a Igreja


 Vivemos em um mundo onde pessoas formam ou pertencem a grupos de pares onde todos á sua volta discutem os mesmos assuntos, expressam ou reforçam as mesmas opiniões e concordam entre elas sobre os mesmos temas através das redes sociais. Insólito, alienador, as vezes sinistro, estamos diante do fenômeno “filtro bolha”, este mundo que existe e se chama internet, um fator determinante em um segundo turno que promete ser acirrado. Agravado pelo compartilhamento indiscriminado de fake news, possibilitado pelo déficit educacional brasileiro e partidarismo antidemocrático.
            De particular relevância são as fake news atribuindo pronunciamos ou posições partidárias aos padres Marcelo Rossi e Fabio de Melo, da Conferência Nacional de Bispos do Brasil e até mesmo do próprio Papa Francisco. É nossa obrigação disseminar posições verdadeiras da Igreja Católica e denunciar fake news atribuídas a religiosos.

A CNBB sobre as “Eleições 2018 reforça, “[...] nas eleições não se deve abrir mão de princípios éticos e de dispositivos legais, como o valor e a importância do voto, embora este não esgote o exercício da cidadania; o compromisso de acompanhar os eleitos e participar efetivamente da construção de um país justo, ético e igualitário [...] Não merecem ser eleitos ou reeleitos candidatos que se rendem a uma economia que coloca o lucro acima de tudo e não assumem o bem comum como sua meta [...].”

            A Conferência dos Religiosos do Brasil nos alerta, “[...] não podemos votar em candidatos que pregam abertamente a violência, como solução para a segurança pública. E não faz parte de nossas escolhas apoiar aqueles que, sem nenhum pudor, discriminam as mulheres, os afrodescendentes, os indígenas, os pobres e as crianças.”

Devemos, portanto, verificar informações antes de compartilha-las nas redes sociais, principalmente aquelas com conteúdo de guerra cultural ou que servem de vetores de inimizades ou animosidade entre familiares, amigos e colegas de trabalho. Guarda a tua língua do mal e os teus lábios, de falarem enganosamente. Salmo 34:13.

Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores

domingo, 7 de outubro de 2018

Patrimônio histórico e desenvolvimento


Subidas e descidas acompanhando os desníveis da cidade nos oferecem as únicas e aventurosas possibilidades de conhecer o bairro de Alfama, o mais antigo de Lisboa, datando desde a presença mourisca na Península Ibérica, do século VIII ao XI. Originalmente, o bairro servia de refúgio aos judeus, seu nome tem sua raiz na expressão árabe “al-hammâ” que significa “fonte de água quente”. As estreitas ruas são hoje famosas não apenas pelo antigo casario, mas também pela convivência pacífica e a presença de igrejas e monumentos históricos com vistas espetaculares.

            Navegadores portugueses cruzaram oceanos em busca de riquezas, matéria prima e sustento para sua nobreza e populações pobres. Fundaram assentamentos e expandiram uma crescente diáspora lusófona, deixando impressões digitais da Pátria Lusitana pelo mundo afora. Portugal exportou seus pobres para ultramar, seja como degredados, emigrantes econômicos, pessoas deslocadas pela descolonização ou crises financeiras ao longo de cinco séculos.  

            A ebulição turista do Portugal da atualidade é alimentada pelo sucesso em mobilizar recursos do patrimônio histórico para fortalecer o desenvolvimento sustentável do presente, aumentando assim a competitividade e empregabilidade da força laboral e assegurando estabilidade política. Hoje é a vez de estrangeiros visitarem ou migrarem para Portugal atraídos por oportunidades econômicas, segurança pessoal e qualidade de vida oferecida a todos e em todos rincões da república

O exemplo de Portugal pode ser replicado no Brasil através de politicas públicas e de programas de restauração, preservação e educação patrimonial, dando a devida relevância a optimização do potencial econômico e cultural do nosso patrimônio histórico. Portugal nos ensina que a sinergia da preservação do patrimônio e aproveitamento sustentável do capital turístico, poderia ser uma alternativa viável para a manutenção e valorização de sítios e cidades históricas da Paraíba.

Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores