NEM AQUI, NEM ALI, NEM ACOLÁ¨

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terça-feira, 26 de junho de 2012

O bafo de onça do dragão

   Exportar barato e importar caro é o  binômio do sucesso da economia chinesa, combinando salários baixos e uma moeda subvalorizada para alcançar uma taxa de crescimento espetacular. Aumentando linearmente suas exportações e ao mesmo tempo usando seu enorme mercado doméstico como uma isca para atrair ou pressionar companhias estrangeiras a transferir tecnologia de ponta para o país.

   A China investe robustamente para manter sua moeda subvalorizada, criando assim inflação, uma preocupante inflação doméstica, uma crescente bolha imobiliária e reduzindo gradativamente sua competitividade. Companhias estrangeiras reclamam constantemente das restrições impostas ao investimento e comércio,  que incluem demanda de transferência de tecnologia  e fabricas.  Politicas estas com impactos negativos a economia mundial e têm nutrido reações negativas nos parlamentos dos países industrializados e alguns emergentes. Analistas creem que estamos à borda de uma guerra de comércio, como uma consequência da adoção de medidas e procedimentos protecionistas. Temem os resultados contraproducentes, que indubitavelmente afetarão o crescimento da econômica mundial e o  livre comércio entre blocos econômicos.
 
   O  grande desafio para o Brasil  é como adequar seu mercado de trabalho a simultânea  intensificação da economia globalizada e a revolução da tecnologia da informação. Fenômeno evidenciado pela produção de componentes  e peças anteriormente made in Brazil em diversas partes do mundo e o aumento da criação e produção de  produtos e serviços por máquinas e software. A transferência de fábricas brasileiras de calçados para  a China, é algo que evidencia esta tendência. O povo brasileiro se ressente, com certa razão, que a perda de empregos para a China afetará negativamente a nossa crescente classe média.
 
   Investimento na infraestrutura e equipamentos turísticos é, portanto uma alternativa viável e extremamente lucrativa para a nossa economia. Muitas vezes acontece que o governo argumenta  que não tem recursos financeiros para adequar-se as novas realidades. Países, incluindo a China, usam a modalidade BOT {(construir, operar e transferir) para  atrair financiamentos  para  operação de aeroportos, portos e parques de recreação e lazer.
 
   Durante nossas viagens a China, investidores demonstraram interesses em explorar parcerias para o treinamento massivo de jovens chineses em futebol e outros esportes. A presença de atletas de nível olímpico, no caso do voleibol de praia, poderia ser uma atividade extremamente rentável para a Paraíba, se disponibilizássemos de facilidades e serviços para turismo esportivo. O importante não é jogar dinheiro público em todas as ideais que se apresentem, inusitado que sejam, mas apoiar aquelas passiveis de parcerias com o setor privado  e eventualmente autossustentáveis.  
 
   Novas tarifas ou retaliações não trarão de volta as fabricas ou empregos perdidos para a China. O mais importante é direcionar nossos recursos técnicos e acadêmicos a serviço da inovação, transformação e competitividade da nossa força laboral no mundo globalizado.  Devemos deixar de ser como fantasminha Pluft. Relutante, medroso, sempre procurando novos parceiros para proteger-nos das economias do mundo ocidental. Viveremos sempre debaixo do bafo de um dragão, não importa a nacionalidade ou o cheiro, se não nos transformarmos.