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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Gastando e tributando

            Acontecimento-ícone da História dos Estado Unidos, a Festa do Chá de Boston é considerada como um dos catalizadores do movimento independentista e subsequentes manifestações contra aumento de impostos até os dias atuais. Tributação excessiva para financiar déficits governamentais, seja na economia, na expansão da máquina burocrática ou no uso de coerção legal para  modificar normas ou instituições sociais. Funcionando como para-raios para demandas contra programas econômicos do governo e resistência ferrenha a qualquer investimento no bem-estar social da população excluída.   

            Enrustido em argumentos de fácil raciocínio, o debate brasileiro reduziu-se ao binômio: contribuinte versus não contribuintes. Justificando queixas e reclamações pela racionalidade do sentimento exclusivista de que trabalhamos para sustentar aqueles que não trabalham. Paradoxalmente poucos questionam o tamanho do Estado ou a influência difusa dos subsídios, a viabilidade de empresas e bancos privados, a sustentabilidade de paraestatais ou a perpetuação de partidos políticos de pouca representatividade.  O outro lado da moeda, beneficiários das bondades e programas sociais do governo formam uma base política fidelizada, hostil a qualquer forma de redução da carga tributária que ameaçasse seus benefícios. Status quo garantido pelo voto obrigatório e  partidos políticos dependentes de gastos e investimentos financiados pelos contribuintes. 


            Mágicos do poder executivo e do Congresso ofuscam a realidade do Brasil com vidros incandescentes e fumaça azul, o empobrecimento da população continua à revelia dos subsídios que os transformaram em consumidores e partes interessadas no crescimento do país. Cinismo sobre a falta de representatividade do conluio que orquestrou a Agenda Brasil e a impotência de um poder executivo imerso em auto-delusão,  fornecendo ingredientes essenciais para o preparo da poção da bruxa dos questionamentos, inércia e resistência às mudanças genuínas e sustentáveis da estrutura e financiamento do Estado Brasileiro pelos contribuintes do Erário Público.


Palmarí H. de Lucena é membro da União Brasileira de Escritores


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