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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Mar de muçuns antiéticos

Revelações recentes sobre deslizes éticos de políticos nos conclamam a exigir públicamente que resolvam seus conflitos de interesses, mesmo quando sejam apenas aparências de vantagem indevida ou patrimonialismo. Existe uma tendência de judicializar condutas incompatíveis com o decoro parlamentar sob o pretexto de proteger o direito de ampla defesa do acusado. Procedimento este que transfere o problema para um judiciário notoriamente lento e não necessariamente imune às pressões políticas. Justiça tardia é justiça negada, frase de Benjamim Disraeli reforçando o clima de privilégios e imunidades que protege políticos corruptos.

            Políticos são obrigados a encaixar prioridades e motivações irreconciliáveis que se manifestam durante os períodos pré-eleitoral e pós-eleitoral e que continuam após serem empossados ou ungidos como um membro da nomenclatura do Congresso. Fidelidade partidária, emendas parlamentares, lobistas, familiares, fatores dominantes no sucesso profissional e evolução patrimonial. Tais conflitos, quando não resolvidos, fabricam a engrenagem defeituosa de um governo medíocre, incapaz de cumprir as funções inerentes de uma boa governança. Corrupção e corporativismo tornam-se a herança maldita e o alicerce da sustentabilidade de práticas de políticos antiéticos.

            Na ética platônica, ocupantes de cargos públicos têm suas carreiras referendadas pela confiança do povo e a responsabilidade de pôr o interesse público acima de qualquer outro interesse. Considerando que a maioria dos eleitores não lembram nem sequer o nome do político em que votaram, resulta bastante claro que a ética pessoal e reputação ilibada não são fatores cruciais na avaliação da capacidade ou compromisso do candidato ou o partido por ele representado. Rotineiramente, crimes cometidos por políticos são cozinhados lentamente em envelopes de papel manteiga, um prato amargo preparado descaradamente com redução de óleo de rícino servido diariamente a um povo brasileiro faminto de esperança, perdidos na terra prometida da ordem e progresso.

Palmarí H. de Lucena é membro da União Brasileira de Escritores

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