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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Nepotismo eleitoral

Perpetuando famílias no poder, o nepotismo eleitoral figura entres as causas principais para o atoleiro ético e moral diminuindo a democracia brasileira e entorpecendo tentativas à modernização das instituições. Reproduzindo estruturas político-partidárias por gerações, privilegiando um criadouro de possíveis abusos do poder econômico, mantendo o clientelismo e o patrimonialismo. Dinheiro e sobrenome contribuindo para a manutenção do poder eleitoral, abrindo janelas de oportunidade às práticas corruptas, conflito de interesses eventualmente atentatórios  à lisura, transparência,  e correta formação e desenvolvimento do processo eleitoral.

Crescimento continuado da bancada de herdeiros de políticos na Câmara Federal expõe a participação desproporcional de famílias tradicionais; 49% dos deputados federais eleitos em 2014, tinham avôs, pais, mães, irmãos, cônjuges e/ou primos com influência política – o maior índice das quatro últimas eleições. No Rio Grande do Norte, 100% dos oito deputados federais eleitos em 2014 pertencem a dinastias políticas. Proliferação de rodovias, hospitais, escolas e logradouros públicos com nomes de parentes de políticos, mesmo quando os homenageados não exerceram atividades relevantes, é um dos exemplos mais representativos da privatização da coisa pública para homenagear familiares de políticos e seus herdeiros.

            Considerar ou mesmo seguir a profissão e ocupação dos pais é comum na sociedade brasileira, sem que isso raramente aconteça devido à familiaridade com tais atividades profissionais. Cargos eletivos são a exceção e devem ser abertos a todos. Estratégias para manter os espaços de poder de famílias tradicionais com filhos ou parentes que são, muitas vezes, empurrados para converter-se em políticos profissionais, limitando assim a acessibilidade e diversidade nos cargos eletivos, em todos os níveis. Nepotismo eleitoral é parte do cenário de atraso e falta de mudanças no Nordeste, que encabeça a lista das regiões com maior percentual (63%) de herdeiros políticos no país.

Palmarí H. de Lucena é membro da União Brasileira de Escritores





terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A ética dos vazamentos

Revelações na mídia sobre o suposto envolvimento do ex-presidente Lula, membros do poder executivo e da hierarquia do PT no escândalo do Petrolão, provocando uma torrente de acusações sobre “vazamentos seletivos” expondo o governo da Presidente Dilma e vários ministros. Abertura de investigações e processos contra autoridades responsáveis pela guarda do sigilo de documentos vazados, figurando entre as demandas de políticos investigados pela Operação Lava Jato.

Mentalidade de cerco, fantasias de conspirações, suspeitas de traições e ingerência da grande mídia norteando as reações do poder executivo e da hierarquia partidária quando confrontados publicamente por questionamentos fundamentados em investigações exaustivas e provas contundentes sobre deslizes éticos e conflitos de interesse de mandatários e ex-mandatários, parlamentares e lideres políticos.

Vazamento de documentos de interesse público são parte da paisagem em um estado democrático e uma ferramenta essencial para o funcionamento de uma imprensa livre.  Promotores e advogados de defesa vazam informações para beneficiar suas causas ou clientes; parlamentares compartilham informações privilegiadas com membros da mídia para influenciar o desfecho de negociações legislativas; presidentes e ministros usam vazamentos seletivos, conhecidos como balões de ensaio, para testar ideias ou provocar debates sem expor-se diretamente à criticas ou reações negativas.

Divulgação de informação que traz claridade sobre um assunto ou política do governo serve ao interesse público mesmo causando desconforto ou embaraço a indivíduos ou instituições, principalmente na era de competições entre fontes de informações, blogs e páginas da internet. É necessário, portanto, exercer cautela com acusações sobre a motivação ou a judicialização de um vazamento.  “ Uma noticia é algo que alguém, em algum lugar, não quer que seja publicada. O resto é propaganda [...]”, afirma o Lord Northcliffe, antigo proprietário do Daily Mirror e Daily Mail.

Palmarí H. de Lucena é membro da União Brasileira dos Escritores