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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Déjà vu do Watergate

            Na audiência do Comité do Impeachment, as palavras da Deputada Federal Barbara Jordan, ressonaram com rara claridade em um ambiente contagiado pelo partidarismo: “[...] é uma leitura errada da Constituição afirmar que para votar por um artigo de impeachment é preciso que qualquer membro parlamentário deva ser convencido de que o presidente deve ser removido da função. A constituição não diz isto. Poderes relevantes ao impeachment são um controle essencial nas mãos do Legislativo contra e sobre os abusos do Poder Executivo. A divisão entre as duas casas legislativas: Câmara de Deputados e o Senado, dá a uma o direito de acusar e à outra o direito de julgar, os formuladores da Constituição [...] não combinaram acusadores e juízes como uma mesma pessoa [...]”. Emoldurando o rito e a constitucionalidade do impeachment, o discurso é considerado um dos cem mais importantes do século XX.

            O escândalo do Watergate expôs brechas no sistema eleitoral, revelando vícios de um sistema politico-eleitoral passivo aos caprichos e fantasias da presidência imperial de Richard Nixon e às manipulações de seus auxiliares. Presidente Nixon renunciou evitando ser condenado à prisão, dois anos depois, sete funcionários sêniores da Presidência sentenciados à prisão por conspiração e obstrução à justiça. O Juiz Federal John Sirica venerado por sua coragem, compromisso ético e fidelidade à Constituição, homônimo stricto sensu do nosso Juiz Sergio Moro.

            Quatro décadas depois do Watergate, vivenciamos nosso maior escândalo. Em Cervantes, comparações são odiosas. Atualmente podemos sentir algumas semelhanças com os acontecimentos da era Nixon. Carecemos de políticos com honestidade intelectual e compromisso ético. Expostos diariamente na mídia clamam ser vitimas de “vazamentos seletivos”, fazendo acusações similares as do Presidente Nixon e seus acólitos quando confrontados com informações confidenciais, compartilhadas com jornalistas pelo então vice-diretor do FBI, alcunhado como “Garganta Profunda”. 

Palmarí H. de Lucena é membro da União Brasileira de Escritores

ERRATA: fui indentificado na postagem inicial como " membro da União Brasileira de Estudantes". O titulo correto é membro da União Brasileira de Escritores.



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