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terça-feira, 5 de julho de 2016

Política e religião

            Fundamentalismo, teologia da liberação, maioria moral e direita religiosa, algumas das expressões sinalizando a crescente influência religiosa em estados constitucionalmente seculares, com populações culturalmente identificadas com religiões. O ano de1979 é o divisor de águas entre religiões introspectivamente doutrinárias e o uso de ativismo político-religioso para empoderar-se socialmente em estados laicos. O poder político de partidos fidelizados às denominações religiosas evidencia-se principalmente na influência desproporcional da Bancada da Bíblia no “Centrão” do Congresso, na governabilidade e priorização de políticas públicas.

            Os Estados Unidos são reconhecidos como o país com a mais clara e sustentável separação Igreja-Estado, ou seja, que as atividades e as decisões políticas devem ser imparciais em relação a influência religiosa, por outro lado o país é também conhecido pela religiosidade do seu povo e confiança em Deus. Fé expressada até mesmo na moeda nacional: “In God we trust“. Movimentos religiosos mesmo assim, continuam recrutando seguidores para as guerras culturais, subestimando a estabilidade política e a capacidade do Congresso construir acordos bipartidários beneficiais a toda a população.

            O crescimento da candidatura de Donald Trump, como arauto de um segmento da população autodenominada vítimas das políticas sociais discriminatórias supostamente desfavoráveis à classe media, exemplifica os perigos e dos efeitos não intencionais da introdução de uma agenda e princípios religiosos como folha de parreira para grupos da extrema direita opostos ao controle de armas, contra o progresso social da mulher, a inclusão social de minorias e emigrantes.  

            Estamos longe de um Trump made-in-Brazil, mas corremos o risco de retroagir os ganhos e progresso social obtidos pela transformação constitucional da nossa nação em um estado laico. A possibilidade de uma República Cristã Brasileira é uma fantasia de poucos e o pesadelo de todos, Graças à Deus!


Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores

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