NEM AQUI, NEM ALI, NEM ACOLÁ¨

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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Super Michelle

             Observando a paisagem política da estratosfera moral, com devida indignação e preocupação responsável sobre o retrocesso ético e moral contaminando o clima eleitoral dos Estados Unidos, Michelle Obama, dispensando a rede protetora da Casa Branca para enfrentar o Godzilla antidemocrático ameaçando os princípios mais básicos da democracia e da convivência civil da sociedade americana. Competente e discreta, se conheceram quando foi supervisora de Barack Obama durante seu estágio na firma de advocacia onde trabalhavam. Descendente de escravos e pais sem educação universitária, tornando-se a mentora de um homem privilegiado com o pedigree acadêmico e honrarias da prestigiosa Universidade de Princeton.

            Mantendo uma distância respeitável do mundo político de Washington D.C. durante a presidência do seu esposo, Michelle Obama concentrou seus esforços em criar uma atmosfera saudável e livre de pressões externas para suas filhas, como também as causas que apoia pessoalmente, o combate à obesidade na América e o empoderamento de meninas pelo mundo afora. O espetáculo grotesco promovido por Donald Trump e seus seguidores motivou a Primeira Dama a lançar-se corpo e alma na campanha de Hillary Clinton quando sua dignidade como uma mulher e a dignidade de todas as mulheres foi agredida pela retórica tóxica do racismo, sexismo e a propagação de imagens abusivas do comportamento do candidato republicano.

            Sempre seguindo seu lema de “[...] quando forem para baixo, iremos para cima”, debatendo temas da atualidade e enaltecendo a importância dos princípios democráticos subestimados pela retórica inflamatória do candidato republicano, Michelle Obama é a arma mais possante do arsenal eleitoral de Hillary Clinton. Assumindo efetivamente a responsabilidade de confrontar a misoginia de Donald Trump, adicionando substância e oxigênio ao projeto do Partido Democrata nos estados tradicionalmente considerados seguros para candidatos do Partido Republicano.


Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Confiança e legitimidade política

            Debates e certames eleitorais transformados em troca de insultos e ameaças pessoais, sectarismo político contaminando o convívio social, as relações entre pessoas e até mesmo o temperamento de agentes públicos. É evidente que os valores sustentando a democracia ocidental estão em declínio. Intelectuais e cientistas políticos sugerindo que estamos nos aproximando de um nível de polarização política e social indesejável, em detrimento de uma sociedade moderna, igualitária e pacífica. Perda de fé no governo e na politica por uma parte significativa do eleitorado americano, maioritariamente partidários de Donald Trump, é demonstrada pelo questionamento antecipado da legitimidade da eleição presidencial dos Estados Unidos.

  Disposição do candidato derrotado de aceitar os resultados de eleições é uma característica importante da democracia, resultante do poder do povo em fazer suas escolhas. A dicotomia pós-eleitoral entre vitoriosos e derrotados se transforma em um debate sobre programas defendidos por ambas as partes, política em uma democracia é sobre interesses como também princípios. Postura dificultada pelo questionamento de partidários de Donald Trump sobre a vitória de Hillary Clinton. Embora a candidata democrata seja considerada mais legitima, o fato é que segmentos do eleitorado representando dezenas de milhões de eleitores questionam sua legitimidade. Apesar da descrença com a democracia, a maioria do povo continua apoiando a separação básica constitucional dos três poderes e se opondo ao governo de um mandatário ou ditador.

  Perda de confiança no governo e nas instituições públicas é o fogo que está consumindo a paisagem democrática pelo mundo afora, fomentando a crescente influência de demagogos, oportunistas e políticos anti-política, na formação de governos retrógados e a implantação de políticas revanchistas, inconsistentes com a forte tradição democrática e comprometimento com a liberdade individual, acolhimento de populações excluídas e respeito à diversidade. 

Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores




sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O poder do zero

            Meses de reflexão precederam a decisão que acabáramos de tomar: digitamos “00” na urna eletrônica e confirmamos nossa escolha. O poder efêmero nas mãos do cidadão exigia alacridade, concluímos nosso dever cívico em questão de segundos. Escolhemos zero, o nada, para expressar nossos sentimentos sobre tudo que está acontecendo no país, da Lava Jato até a situação deplorável de tudo que chamamos Brasil. David Kaplan considera o zero um número subversivo. “Ele nos obriga a repensar tudo o que alguma vez já demos por certo: da divisão aritmética à natureza de movimento, do cálculo à possibilidade de algo surgir do nada”. Temos de chegar a soma zero, enquanto a classe política faz de conta que nossas instituições estão funcionando?

          O Mensalão e a Operação Lava Jato abriram as portas do poder público deixando a luz do dia penetrar nas profundezas duodenais da empreitada político-empresarial pervertendo nossas instituições democráticas e destruindo o patrimônio nacional. Escândalos de corrupção removeram a pátina de probidade de muitas das nossas instituições, principalmente quando investigadas ou julgadas pela falta de eficiência, transparência ou imparcialidade. Mensagem dos eleitores que votaram em branco, anularam ou se abstiveram é clara: a política atual não pode ser consertada por políticos profissionais, corporativismo ou fisiologismo, fato amplamente demonstrado nas investigações e julgamentos de casos de corrupção pela 13a Vara Federal Criminal. 
        
    A soma de votos nulos, brancos e abstenções superou o primeiro ou segundo colocado na disputa para prefeito em 22 capitais, São Paulo contabilizando o nível mais alto desde a redemocratização. Retrato acurado do descontentamento popular pela falta de respostas dos políticos e partidos sobre a crise de corrupção e a situação da quase bancarrota em que se encontra o Brasil. Políticos falhando mais uma vez em interpretar a mensagem escrita no reboco da parede, como o fizera Daniel para o Rei Belsazar.


--> Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira dos Escritores