NEM AQUI, NEM ALI, NEM ACOLÁ¨

NEM AQUI, NEM ALI, NEM ACOLÁ¨
Clique no livro para comprar pela Internet

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Morte da pena de morte

            Execução do Casal Rosenberg se transformara em um evento seminal no debate sobre a pena de morte nos Estados Unidos. Ruídos abafados pela contaminação dos gases tóxicos do macarthismo e o antissemitismo latente da mídia e da sociedade como um todo. Surgindo na mesma década, outro condenado à pena capital, não por crimes contra o Estado, a Justiça tinha em suas mãos um criminoso comum. Chamava-se Caryl Chessman ou o Bandido da Luz Vermelha, acusado de praticar crimes de estupro e roubo, nas colinas de Hollywood. Escrevera vários livros durante os anos que passou no Corredor da Morte, livros sobre seu martírio e presumida inocência, transformando-se em ícone da campanha mundial contra a pena de morte.

Entre os mais ferventes defensores de Chessman encontrava-se Nelson Hungria, distinguido penalista e Ministro do Supremo Tribunal Federal na época. Sua posição sobre o tema foi de absoluta claridade: "O que se passou com Chessman é a confirmação do que dizia Rohland: ‘Não há homens absolutamente bons, do mesmo modo que não há caracteres absolutamente maus, ou delinquentes congênitos; por isso mesmo é possível, ao contrário do que pretendia Schopenhauer, uma modificação do caráter, ensinando a experiência que, mediante sério esforço, muitos os conseguem’. 
   
         Estudo recente realizado pela Fundação Pew, revela pela primeira vez que a pena de morte não é mais favorecida pela maioria do povo americano. Opiniões são divididas por gênero, geração e raça, os jovens de 18 a 29 anos sendo seus mais ardentes opositores. Declínio de execuções e o fato de que no corrente ano 15 pessoas cumpriram a sentença refletem o questionamento da constitucionalidade e da severidade da punição em si. Dependendo do candidato vitorioso para a presidência a questão ficará a mercê do temperamento judicial da nova composição da Corte Suprema, da orientação política do Presidente e do Congresso Nacional. A eleição de Donald Trump seria certamente um retrocesso, 79% dos republicanos são favoráveis à pena de morte.
           

-->
Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores

Nenhum comentário: