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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Ciclo de restauração e destruição

Governos e parceiros pintando fachadas e praças, comunicados bombásticos anunciando medidas paliativas para encobrir vestígios da negligência e culpabilidade pela morte gradual do centro histórico da terceira cidade mais antiga do Brasil. Restauração superficial politicamente motivada, lamentavelmente seguida por pichações e atos de vandalismo. Repetindo-se assim o ciclo de restauração/destruição tão comum em áreas urbanas com a presença mínima dos órgãos do poder público, calçadas perigosamente vazias e a ocorrência da degradação difusa de espaços de relações sociais e interações cotidianas.

Desde a criação da Comissão Permanente para o Desenvolvimento do Centro Histórico, em 1986, vários projetos foram anunciados com grande pompa e circunstância com resultados assimétricos às expectativas geradas por seus benfeitores du jour. Bares e negócios abertos na Praça Antenor Navarro, após melhorias financiadas pelo Governo da Espanha, obtiveram sucesso limitado devido à falta de manutenção do logradouro e comprometimento por parte do governo municipal. Certas intervenções pontuais financiadas pela edilidade ameaçam a integridade física de imóveis históricos, já fragilizados pela ausência de manutenção e a insegurança. Degraus da histórica Igreja de São Frei Pedro Gonçalves, danificados para acomodar a instalação de um palco para uma apresentação musical financiada pela Prefeitura, é um dos exemplos marcantes.

Anúncio da disponibilização de R$ 50,7 milhões do Governo Federal para a revitalização do Centro Histórico em 2013, 60% do financiamento sendo destinado para projetos no Porto do Capim. Ali, às margens do Rio Sanhauá, foram construídas as fundações da história da nossa cidade. Três anos após o anúncio, todos os projetos incluídos no financiamento continuam em “fase de contratação”, enquanto o abandono e a destruição de imóveis históricos pairam ameaçadoramente sobre a beleza que resta do Centro Histórico e agouram negativamente sobre sua sustentabilidade econômica e viabilidade como um marco importante do turismo paraibano.

Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores



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