NEM AQUI, NEM ALI, NEM ACOLÁ¨

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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Idosos vivendo perigosamente

Experimentando dificuldade de locomoção, idosos se arriscam a quedas desastrosas caminhando em calçadas, tentando evitar obstáculos ou mesmo ser atropelados por veículos saindo aleatoriamente de estacionamentos improvisados. Espaço público privatizado por estabelecimentos comerciais, comedores informais e vendedores de bricabraque eletrônico transformando calçadas e passeios públicos em perigosas pistas de obstáculos, para pessoas com redução natural na mobilidade, adaptação ao pavimento, distúrbios do equilíbrio, diminuição da visão e outros fatores que os tornam mais vulneráveis a quedas, lesões e suas imprevisíveis sequelas.

A ocorrência de quedas em idosos é um dos principais problemas clínicos e de saúde pública contribuindo para a incapacidade ou limitação, são eventos de alta incidência com graves consequências para a saúde pública e aumento de gastos assistenciais. A Organização Mundial da Saúde refere quedas como um dos problemas mais importantes e corriqueiros afetando idosos, episódios que aumentam progressivamente com o avanço da idade e a deterioração do espaço público. No Brasil, 30% dos idosos caem ao menos uma vez ao ano, podendo ser fatal nesta faixa etária e dificultar a recuperação devido as mudanças fisiológicas normais associadas à terceira idade e o crescente envelhecimento da população 

A conversão desenfreada do espaço público para uso como estacionamento é uma evidencia chocante da incapacidade da Prefeitura Municipal de implantar a padronização de calçadas, executar o Código de Posturas, assegurando a mobilidade da população idosa e deficiente. Idosos tentando entrar na Casa Lotérica da Avenida Ruy Carneiro, por exemplo, têm que se arriscar a quedas nas superfícies acidentadas, ferimentos causados por barras de ferro e atropelamento por veículos entrando e saindo da calçada. A Prefeitura é omissa ao priorizar ciclovias para usufruto e mobilidade diferenciada, em detrimento do bem-estar de uma crescente população idosa.


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Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Sucateamento da segurança nacional

Quando falamos em território brasileiro, falamos de um país de dimensões continentais, com 23.102 quilômetros de fronteiras sendo 15.735 terrestres e 7.367 km marítimas. Somos vizinhos de quase todos os países do continente. Compartilhamos uma miríade de problemas, desde o controle migratório ao combate ao tráfico transnacional de drogas.  Contrabando de armas pesadas prosperando nas nossas fronteiras porosas fomentam o terror e insegurança nos nossos centros urbanos.

 Rios, florestas e uma extensa costa abrigam uma imensidão de riquezas e ofuscam uma enormidade de perigos. Práticas predatórias de exploração de recursos naturais, ilegalmente e muitas vezes legalmente, põem em cheque possibilidades de desenvolvimento sustentável, respeitando áreas indígenas e protegendo o meio ambiente, despertares grosseiros do sonho quase eterno em berço esplêndido.

Para proteger nossas fronteiras e dar apoio às operações de interdição e inteligência contra a entrada ilegal de armas, drogas, contrabando e pilhagem de recursos naturais, foi criado um Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) em 2012. Devido ao contingenciamento de 40% dos recursos das Forças Armadas, somente 600 quilômetros de uma faixa de 17 mil quilômetros de fronteiras foram integrados ao projeto, cuja conclusão foi adiada para 2040. Escassez de recursos augura negativamente aos esforços e consequências da falta de vigilância nas fronteiras e a concomitante proliferação do tráfico de drogas e armas nas nossas áreas urbanas.  

Fontes militares afirmam que um dia de operações de um batalhão do Exército no Rio de Janeiro, por exemplo, custa R$ 1 milhão. Cortar recursos do Sisfron para financiar gastos em deslocamentos de tropas federais não ajudam na mitigação da violência urbana de uma maneira sustentável e eficaz. Policiais bem preparados e motivados, dotados de equipamentos adequados e apoiados pela sociedade, são a única força capaz de forjar uma convivência cívica e pacifica nas comunidades do nosso país.

--> Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Satíricon político

Situações absurdas e ridículas permeando o mundo politico e a sociedade contemporânea como um todo, nos remete à época onde personagens públicos e privados agiam como se fossem desprovidos de pudor ou limites morais e éticos balizando suas ações. Estamos vivendo uma versão moderna do Banquete de Trimalquião do Satíricon de Petrônio, a única diferença sendo a existência de valores judeu-cristãos e normas de conduta estabelecidas por sociedades secularmente democráticas, igualitárias e zelosas dos direitos básicos dos seus cidadãos.

 Contradição, excentricidade, ambivalência e ambiguidade são as marcas do traço estilizado atribuído a Petrônio, criando situações absurdas e ridículas, transformando-as em tragédias sem nunca perder ou remover o manto negro do seu humor. Completa amoralidade dos seus protagonistas, o denominador comum de costumes que hoje considerados absurdos, vista com extrema naturalidade.

A conduta pessoal de políticos e empresários da atualidade abriu as cortinas de um mundo subterrâneo imbuído quase que naturalmente, na sublevação de valores básicos e o uso irrestrito da prática de deslizes éticos para obter vantagens indevidas e privilégios, por todos os meios necessários. Limites estabelecidos por leis e costumes são vistos como empecilhos enfadonhos da gincana frenética pela permanência no poder e acesso continuado a seus benefícios materiais. Hoje temos uma situação de vale-tudo amoral e a desintegração de princípios de civilidade e imparcialidade.

A vulgaridade do linguajar de políticos e pessoas na liderança das nossas instituições é uma fissura grave e perigosa no entendimento cordial que deveria existir entre colegas, políticos e pessoas com pontos de vista opostos. Aberta a Caixa de Pandora das interações de políticos e empresários, nos inteiramos com repugnância que a vulgaridade subterrânea se convertera em contraponto as gentilezas em público, vozes iradas recheadas de obscenidades dignas do Banquete de Trimalquião, no Século I.

Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores