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domingo, 19 de março de 2017

Degradação do espaço público

            Disputas entre a prefeitura e ambulantes no centro da cidade são tão comuns como Fla-Flus, tão difusas como a incompetência e corrupção transformando o espaço público em uma espécie de terra de ninguém, controlada pela informalidade da atividade comercial. Decadência e violência urbana, irmãs siameses alimentadas pela negligência benéfica de gestores municipais mais preocupados com obras de infraestrutura, cartões postais de suas administrações, e a acumulação de capital político. Enquanto crescem no imaginário popular, a degradação e vandalismo se alastram pela cidade ameaçando a longevidade das obras públicas por eles realizadas.

Bricabraque eletrônico, CDs, frutas e verduras, cardápio variado para uma clientela de baixa renda. Calçadas e ruas praticamente intransitáveis ocupadas por ambulantes operando à revelia da prefeitura, em detrimento da viabilidade econômica do centro da cidade. Obstrução de trechos de ruas no Parque da Lagoa motivando o lançamento prematuro de um plano para a remoção dos ambulantes, atenção aos aspectos sociais da categoria e devolução do espaço público à população. Detalhes da intervenção ainda incompletos. Infelizmente, o diabo mora nos detalhes…

Presença difusa de ambulantes e a visão anárquica da atividade servindo como imã para parceiros de questionável legitimidade, vetores de comportamentos antissociais e a perpetração de pequenos delitos. Cruzamentos ocupados por limpadores de para-brisas assediando motoristas com ofertas de serviços ou demandando pedágio social.  Pessoas de maior vulnerabilidade, principalmente mulheres desacompanhadas e idosos, vítimas de chantagem e comportamentos agressivos forçados a exercer um julgamento rápido sobre a periculosidade ou grau de necessidade dos protagonistas destas ações. Gestão municipal carente de soluções sustentáveis para a preservação do espaço público, transformando-se em parceira passiva na lumpenização do Centro Histórico e na concomitante degradação do patrimônio público.


Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores

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