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domingo, 30 de abril de 2017

Era dos trabalhadores temporários

Crescimento de empregos temporários é sem dúvida alguma uma tendência mundial estimulada por leis que expandem a terceirização e a flexibilização de leis trabalhistas, tanto no Brasil como na Europa. Historicamente a modalidade segue o ciclo do negócio, as vezes de uma maneira exagerada, trabalhadores são demitidos desproporcionalmente em condições econômicas adversas, quando o cenário melhora e ainda há incerteza no mercado, são contratados desproporcionalmente para substituir trabalhadores em regime permanente.

Crises na economia mundial e a competitividade inerente à globalização têm forçado governos e legislaturas nacionais a considerar mudanças substantivas nas leis governando relações entre patrões e empregados e a maneira pela qual mão de obra é recrutada e contratada por empresas. Sindicatos e intermediários, como serviços de emprego do governo, experimentando uma diminuição constante não somente na identificação de novos postos de trabalho como também na obtenção de estabilidade para trabalhadores sindicalizados.

Flexibilidade oferecida às empresas e a redução de trabalhadores permanentes têm consequências não-intencionadas, a maioria delas refletidas nas dificuldades de trabalhadores temporários no acesso crédito, planejamento financeiro ou benefícios inerentes ao emprego permanente. Existe na Europa uma geração de pessoas que se enquadram na categoria dos chamados perm-temps, ou seja, trabalhadores flutuando no mercado de trabalho - de estágio a estágio, de contrato a contrato, de ocupação a ocupação, sem nunca conseguir algo permanente.

Um exemplo da tendência é o número de pessoas com nível universitário ou profissões diferenciadas trabalhando como motoristas no aplicativo UBER. Profissionais e trabalhadores, além de dificuldades em encontrar trabalho, são vitimas de um sistema educacional que não os preparou para competir no mercado ou de encontrar maneiras inovadoras para viabilizar emprego fora da segmentação profissional imposta pelo viés educacional ou status social. Mudanças nas leis trabalhistas não são suficientes para reempregar 14 milhões de pessoas ou assegurar condições favoráveis para uma transição para as novas realidades do mercado.  

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Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Menor valor pra quem?

Quinto americano a viajar ao espaço Wally Schirra Jr, protagonista em três programas espaciais comandara a nave que experimentou problemas técnicos na ignição do foguete propulsor Titan do Gemini 6, forçando o cancelamento da missão. Perguntado sobre seus pensamentos durante os momentos tensos da pane, comentou casualmente que lembrara de um detalhe especifico: o foguete e tanques de combustível “ [...] foram construídos pela companhia com a oferta mais baixa”. Descobrindo eventualmente que o problema havia sido causando por uma tomada de corrente defeituosa, justificada a ansiedade do piloto, acostumado à periculosidade da profissão.
A Operação Lava Jato e as delações da Odebrecht estão demonstrando claramente que o “menor valor” não é necessariamente o “melhor valor”. Baixando a barra da competitividade, o poder público abriu as portas para todos tipos de falcatruas e arranjos, conhecidos como cartas marcadas. Obstruindo competição aberta, os fins justificando os meios. Eventualmente aditivos contratuais, práticas corruptas e cartelização alcançando objetivos muito além do objeto do processo licitatório. Enriquecimento ilícito de políticos e empreiteiros subestimando os interesses da Nação.
Embora de menor escala, práticas envolvendo o credenciamento de pequenas empresas para serviços de educação e saúde escancaram a porta de abusos em processos licitatórios baseados no menor valor. Afloram assim pequenas empresas incorporadas tempestivamente sem nenhuma capacidade como gestor de serviços especializados, de exercer controle de qualidade, avaliação do desempenho ou responsabilidade por erros cometidos por profissionais terceirizados. Credenciamento de empresas de terceirização nem assegura isonomia com competidores que oferecem serviços técnicos profissionais, nem justifica a vantagem indevida dada através do viés do menor valor, sem primeiro assegurar que uma empresa credenciada possuí capacidade setorial e que os serviços serão prestados com devida diligência e relevância ao bem-estar da população. 

Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores

domingo, 16 de abril de 2017

Os misseis de Trump

Críticos do estilo de gestão do Presidente Trump e seus acólitos na Casa Branca, comparando o desempenho errático dos noviços políticos com episódios dos Keystone Kops, um grupo de policiais comicamente desastrados popularizados em comédias do cinema mudo. Mantendo a retórica da campanha como um escudo protetor da falta de preparo, de curiosidade intelectual e a ira embutida nas suas decisões, o portentoso bilionário correndo o risco de transformar-se no bobo da sua própria corte

Governando e propondo políticas através de factoides e truísmos disseminados pelo Twitter e propostas esdrúxulas resultando em acachapantes derrotas no Judiciário e no Legislativo. Condenando à morte programas sociais e meio ambientais com os arabescos de sua assinatura, gestos de ilusionista e o narcisismo inerente à sua vontade de impor sua verdade a qualquer custo, mesmo com ajuda de falsidades e mentiras.

Barbárie do massacre de crianças com armas químicas apresentou uma oportunidade única para tirar os Estados Unidos do fundo do poço político e status de quase-paria, pelo anunciado desengajamento do conflito da Síria e o tratamento discriminatório de seus refugiados. Lançamento de 59 mísseis de cruzeiro contra uma base aérea parcialmente ocupada, evitando danificar as pistas usadas pelas aeronaves sírias nos ataques de gás tóxico contra populações civis. Um novo marco diplomático?

A reação bélica tempestuosa não sugere ou justifica a noção de que temos diante de nós uma nova estratégia americana no Oriente Médio após consumir o sangue de milhares de americanos e trilhões de dólares nos últimos quinze anos. Donald Trump possivelmente optará por ações similares sem considerar a sustentabilidade de uma guerra tecnológica a larga distância.  Sabedoria convencional sugere que nenhum presidente americano sofrerá desgaste político por lançar mísseis contra alvos distantes ou personalidades como Osama Bin Laden. Opção atrativa para uma personagem midiática que transforma fanfarronada em virtude e chavões eurocêntricos em verdade.


Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores