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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Entre as gitiranas do caminho

            Meandrando pelas curvas seguindo os contornos da topografia acidentada, mormaço transformando a estrada em uma visão de aparência líquida. Touceiras de gitiranas visíveis no acostamento desaparecendo na monotonia verde-cinzenta dos campos do Planalto da Borborema. Gado pastando languidamente em movimentos laterais, seus cascos esculpindo curvas de nível nas encostas. Narrativa do nosso interlocutor dando forma e contexto a todas as distrações e visões aparecendo no horizonte retangular do para-brisa. Ora contando causos sobre as picardias de senhores de engenho, ora servindo como uma fonte de informações sobre o patrimônio cultural, tradições e pontos geográficos, narrativas temperadas por conhecimento profundo dos ciclos econômicos do passado e o horizonte dos novos tempos.

Privilegiado por seu clima ameno, o “brejo de altitude” conhecido como a microrregião do Brejo Paraibano, é uma crônica viva dos ciclos de pobreza e riqueza em séculos passados, herança perpetuada pelos casarões coloniais, teatros históricos, igrejas e capelas, alambiques famosos e obras dos seus ícones culturais. Dias difíceis não resultaram de mudanças climáticas ou pragas, exceto no caso do ciclo do café. Queda mundial na demanda por fibras vegetais, ineficiência na produção e industrialização da cana de açúcar enceraram períodos de prosperidade, restando apenas a produção artesanal de cachaça e rapadura, bananais e agricultura familiar.

O ciclo do turismo criando um novo paradigma para a economia do Brejo Paraibano, propulsionado por eventos e celebrações sazonais, expansão de condomínios e o aproveitamento de recursos naturais e estruturas antigas, para atividades de cultura e recreação. O progresso também tem contribuído para a degradação do meio ambiente e urbanização desordenada, maculando ou desvalorizando uma rica herança patrimonial de edificações e sítios históricos. Devemos sempre lembrar das sábias palavras de George Santayana, “[...] quem não recorda o passado está condenado a repeti-lo...”


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Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores

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