NEM AQUI, NEM ALI, NEM ACOLÁ¨

NEM AQUI, NEM ALI, NEM ACOLÁ¨
Clique no livro para comprar pela Internet

domingo, 9 de abril de 2017

Poesia na campanha, prosa no governo

            Políticos fazem campanhas em poesia e governam em prosa, celebre frase de Mario Cuomo, ex-governador do Estado de New York, continuando sua relevância mesmo depois de três décadas. Caricatura fiel do estilo de fazer política nos dias atuais, do Presidente Trump à vereadores e prefeitos de pequenas cidades do interior do Brasil. Promessas, promessas, só promessas ...

Ausência de sanções para oficiais eleitos pelo não-cumprimento de planos de metas, requeridos por leis orgânicas municipais, desvirtuam a importância e eficácia destes mecanismos de supervisão democrática. Transparência e participação popular na gestão da coisa pública requerem muito mais do que “avaliações positivas” preparadas anualmente e disseminadas pela burocracia, camuflando promessas e lançando novos bordões para justificar sua própria ineficiência.

Eleitores costumam reclamar dos gastos exagerados de governos sem nunca protestar contra benesses ou medidas populares enfraquecendo o sistema republicano de governança. Empresários aplaudem subsídios na forma de desonerações e reserva de mercados. Parte do eleitorado considera melhor valor por dinheiro investir em programas assistencialistas e a tutela do poder público sobre a população menos favorecida. Contradições minimizadas por frases e slogans fáceis de digerir. Ações do governo invisíveis para o povo notadas precariamente quando eliminadas ou restritas devido a cortes orçamentários ou mudanças em arranjos político-partidários.

Ambiguidade e hipérbole em campanhas políticas trazem promessas de afagos eleitoreiros, sugestões oblíquas de reconhecimento pela lealdade eleitoral e possibilidades de outras benesses financiadas pelo Erário. Cargos de confiança ou emendas parlamentares para financiar projetos são os principais vetores de incompetência e corrupção institucional crescente na selva da indiferença do eleitorado brasileiro. Somos nossos próprios inimigos, coautores da prosa dos oficiais eleitos.

Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores

Nenhum comentário: