NEM AQUI, NEM ALI, NEM ACOLÁ¨

NEM AQUI, NEM ALI, NEM ACOLÁ¨
Clique no livro para comprar pela Internet

domingo, 14 de maio de 2017

Sob a sombra da indiferença

Destruição paulatina de imóveis tombados, muitas vezes acelerada por ocupações ilegais e abandono, mostrando claramente o desnível entre promessas eleitorais e a realidade enfrentada por aqueles tentando viabilizar a revitalização do Centro Histórico. Anúncios de verbas e ordens de serviços, cerimônias de lançamento de projetos aparentam ser as únicas ações concretas da Edilidade. Anunciada há mais de dois anos, a reabilitação de oito imóveis na Rua João Suassuna como o ponto de partida da transformação da área em um polo econômico, turístico e cultural, continua no rol de projetos inacabados, expostos aos caprichos da natureza e o niilismo dos vândalos. 

Práticas ilegais desvalorizadoras do patrimônio e da qualidade de vida, pichações e poluição visual adicionam insulto ao agravo a uma população exposta ao descaso de uma gestão municipal incapaz de fazer cumprir normas estabelecidas no Código de Posturas. Enquanto o poder público mostra pouco apetite em executar um projeto mais robusto no Centro Histórico, interesses escusos parecem livres para ditar o estilo, o uso do espaço público e a paisagem da terceira cidade mais antiga do Brasil.

Desfiguração de fachadas de imóveis tombados com anúncios de espetáculos, venda de objetos e outdoors, presença constante na incontrolável espiral de poluição visual limitando a possibilidade de registros fotográficos turísticos ou revitalização do Centro da cidade. Segundo o Código de Posturas do Município, “[...] são passíveis de punição qualquer publicidade instalada ao ar livre sem a licença ou autorização do órgão municipal responsável [...]”. Poluição visual é tratada pelos gestores municipais com o mesmo laissez-faire do combate às pichações e outras pestes urbanas.

O busto restaurado de Augusto do Anjos, depois de uma espera de quase três anos, foi instalado em um lugarzinho acanhado na passagem com o nome do Paraibano do Século XX. A placa de uma banca de revistas, servindo como pano de fundo para a homenagem ao representante do nosso EU. E assim tratamos nossa história!



Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores



Um comentário:

Alexandre Henriques disse...

Faltam respostas do poder público, em tantas e tão diversas áreas. Ao que parece a preservação do nosso patrimônio arquitetônico, histórico, artístico e cultural, sobre o qual já há um carimbo de urgência há muito tempo, fica sempre para segundo plano, não alcançando a força da nossa indignação, vítima do nosso descaso e muitas vezes do desprezo pelos nossos valores históricos. Temos como complicador, ainda, a recente desestruturação do quadro político do país em todos os níveis. Palmari vocaliza a opinião de muitos, deixando intrínseco o sentimento de impotência, em uma análise sucinta sobre o tema.