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domingo, 30 de julho de 2017

Um paradigma de razão

Cidadãos bem informados e principalmente interessados na coisa pública são essenciais para a democracia. O jornalismo como um todo e o jornalismo de opinião em particular têm o papel crucial de provocar na opinião pública reações e argumentos que favoreçam os seus interesses. De vocação inerentemente argumentativa e doutrinária, torna-se fundamental que seus praticantes sigam um principio básico de Jurgen Habermas: “ [...] O que é dito tem sua legitimidade não de si mesmo como mensagem, tampouco do status social de quem a proferiu, mas da sua conformidade enquanto declaração baseada num paradigma de razão registrada no momento do relato”...

Para Habermas, a esfera pública representa uma faceta do social que atua como mediadora entre o Estado e a sociedade, que se organiza como portadora da opinião pública desde que exista a liberdade de expressão, de reunião e de associação. O jornalismo de opinião funciona como uma incubadora na formação da uma sociedade civil pungente, seus membros mais participativos quando devidamente informados sobre as temáticas que os afetam, direta ou indiretamente, enriquecem a esfera pública.

Páginas de opinião são importantes para uma democracia. São importantes porque seus colunistas podem estar entre os jornalistas mais efetivos em preencher o propósito principal do jornalismo: dar ao cidadão a informação necessária para faze-lo livre e auto gestionário. A leitura de seus jornalistas deveria ajudar pessoa a pensar sobre as notícias, criando incentivos para um exame mais crítico e independente.  

Espaços livres de opinião em jornais estimulam a diversidade, permitindo publicação de artigos com conteúdo extrapolando os limites empresariais e editoriais de um periódico. Servindo como um prumo no meio de um mundo midiático dominado por bocados de noticias instantâneas ou as famosas fake-news das redes sociais. Devemos assegurar o propósito e a liberdade inerente ao jornalismo de opinião e não banalizar seu impacto com artigos de vaidade pessoal ou interesses particulares ou profissionais.


Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores

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