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domingo, 17 de setembro de 2017

Roubo, mas faço reformas

Transformado em um exemplo global de propaganda enganosa, o Brasil continua afundando no redemoinho gigantesco da corrupção criado pela ganância desenfreada da elite política e seus patrões do setor privado. Dois temas interligados, o escândalo da Lava Jato e a cumplicidade passiva do poder público na destruição do patrimônio nacional, seja no desmatamento da floresta amazônica ou na privatização desenfreada de nossos recursos minerais. Interesses pessoais e afã de sobrevivência na política e no mercado, um “film noir” protagonizado por líderes políticos e empresários corruptos acuados pelo Ministério Público tentando se reinventar como reformistas.

“Afeição pelo poder é implantado em muitos homens e é natural abusa-lo quando adquirido”, a frase de Alexander Hamilton soa como uma profecia quando nos deparamos com os extremos aos que homens no poder chegaram para assegurar lugares privilegiados na divisão do espólio politico. Gastando somas bilionárias em campanhas eleitorais para garantir imunidade parlamentar, apetite pelo poder parece proporcional à fortuna que pilham, temos um presidente que usa o dinheiro do povo ao cooptar legisladores com emendas parlamentares e descarrilhar qualquer tentativa de julga-lo.

Quando a corrupção brasileira era pequena, mal chegando aos milhões, políticos e eleitores coadjuvavam em uma cumplicidade silenciosa justificada pelo refrão “rouba, mas faz”, empoderando assim políticos corruptos a galgarem o patamar de certames presidenciais. A corrupção embrenhou-se por labirintos tenebrosos, transformando grupos políticos em organizações criminosas. Carecendo de argumentos ou provas robustas para defender-se de graves acusações, políticos agora se apresentam como representantes dos interesses do povo diante uma abstração institucional chamada de “O Mercado”. Acusando a Operação Lava Jato como uma dissuasão à recuperação econômica do país, corruptos e corruptores usam o argumento econômico como uma folha de parreira para manter-se no poder e continuar a rotina de negócio-como-sempre.


Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores

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