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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Demagogia e o politicamente correto

            Todo demagogo político precisa de um inimigo. Preferivelmente algo ou alguém que possa ser usado para direcionar, aguçar ou universalizar sentimentos de exclusão ou perseguição na psique de parte da população oposta às tendências sociais e culturais atribuídas ao politicamente correto. Retórica incendiaria menoscabando a grande mídia com acusações de subserviência a interesses especiais e apologia pelos excessos de benesses sociais, é o canivete do Exercito Suíço daqueles candidatos que extrapolam normas do comportamento público, civilidade política e respeito a seus oponentes.

            O termo politicamente correto permaneceu na penumbra do debate político até os anos 90, expressão popular em grande parte em comunidades acadêmicas que usava o termo jocosamente para caracterizar o dogmatismo de alguns ativistas. Pouco se sabe de sua origem, apesar de sugestões de parentesco com ideologias totalitárias. O termo foi popularizado nos últimos 25 anos por políticos direitistas como um vetor da “política da identidade” e valores contrários à herança judeu-cristã do mundo ocidental.

            Temos dois campos opostos sem apresentar um discernível debate programático ou partidário, as regras do jogo sendo modificadas pontualmente para acomodar o cabo-de-guerra entre o anti- politicamente correto e o anti-anti- politicamente correto. Donald Trump ganhou enfatizando sua independência e disposição de humilhar, demonizar ou diminuir minorias raciais, mulheres e deficientes, naturalizado o racismo e dando vazão a sentimentos de superioridade racial. Venceu contra o politicamente correto...

            O clima das eleições de 2018 é permeado de desencanto com a corrupção e a impunidade da classe política. Somos um povo irado, politicamente desfranqueado e desnorteado pela crise opressiva, a base de uma pirâmide eleitoral passiva a qualquer candidato capaz de equacionar e galvanizar sentimentos de antipolítica e rejeição de políticos profissionais. Em 2016, a imprensa internacional caracterizou a candidatura de Donald Trump como uma piada de mal gosto, será que vai ser a vez do Brasil em 2018?

Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores


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