NEM AQUI, NEM ALI, NEM ACOLÁ¨

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domingo, 26 de novembro de 2017

Que país é esse?

Trocas de impropérios, atitudes fisicamente ameaçadoras, um aumento exponencial na letalidade dos confrontos entre cidadãos ou com autoridades policiais transbordando o limite mínimo de segurança esperado em um país democrático. Pondo à prova a qualidade do tecido social de um país que outrora chamava-se da terra do homem cordial, insuficiente para guarnecer-nos das intempéries do clima de violência e transgressão que nos transforma em prisioneiros do nosso próprio medo. Somos uma legião urbana, sempre perguntando: que país é esse?

Viajando pelo interior ou mesmo em áreas urbanas sempre nos preparamos ou assumimos que algo sinistro pode acontecer, prontos para testemunhar algo errado ou ter uma história para contar no fim da jornada. Celebrando ocasiões festivas, participando de atividades sociais ou profissionais, indagamos mentalmente quantos de nós chegaremos em casa ilesos ou pelo menos livres de situações constrangedoras.

Intolerância e falta de civilidade, fontes de conflitos sociais que fazem da existência urbana um purgatório para almas que simplesmente querem viver uma vida de moderada tranquilidade, conforto e respeito ao direito alheio. Pequenos incidentes do cotidiano levando pessoas a situações e posturas predispostas a um único desfecho, um vencedor e um perdedor. Bombinhas juninas convertidos em explosões letais.

Aceitamos o manto de um povo alegre, solidário e acolhedor, sem nunca questionar porque nos sentimos tão insatisfeitos ou despreparados em reconhecer a insatisfação latente que vigora nos transportes públicos, hospitais e escolas. Clamamos nossa tolerância com a diversidade porque aceitamos um numero mínimo de refugiados, enquanto falhamos em reconhecer o machismo, a homofobia e o racismo que nos oprime. Nos dizemos solidários mesmo quando remissos em defender causas coletivas ou incapazes de assumir responsabilidade cívica pelo progresso e segurança cidadã. Olhando para o chão, seguimos distraidamente a trilha para a viela da alienação social.

Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores
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