NEM AQUI, NEM ALI, NEM ACOLÁ¨

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Sob o céu de Paris

             Refugiados do frio em um bistrô na esquina de uma rua insistentemente parisiense, desfrutamos do aroma confortante de uma terrina de “pot au feu”. Monotonia quebrada pelo toque nostálgico de uma canção de Piaf. “Chegue aqui/ Venha sentar-se à minha mesa/ Aí fora está fazendo tanto frio/ Aqui está aconchegante/ Deixe-me cuidar de você, Milorde”... Paris é sempre uma viagem dentro de uma viagem. Tínhamos a cidade ao nosso redor sem necessidade de aventurar a época ou o contexto de uma tarde languidamente preguiçosa, pura em humanidade.

            Enfrentamos frio e chuva perambulando em direção de um dos marcos mais famosos associados com a cena literária do começo do século vinte, o café Les Deux Magôts em Saint-Germain-des-Prés. Por aqui passaram Sartre, Beauvoir, Hemingway, Picasso, Joyce, Brecht e muitos outros. Sentamos próximo à janela, olhos fixos no interminável balé parisiense, silhuetas cinzentas perdidas nas luzes da cidade. Penetramos o mundo fantasioso de Woody Allen, vivemos nosso Meia Noite em Paris.

            Fazendo Paris a menos francesa cidade da França, a globalização se faz presente em todos os aspectos do seu cotidiano. A diáspora africana vendendo miniaturas da Torre Eiffel, lojas da Apple quebrando a imponência histórica do Museu do Louvre, jovens vestidos com as roupas confortáveis e baratas nas lojas sueca da H&M e na japonesa UIQLO, comida tailandesa e chinesa competindo com o venerado Le Procope, restaurante fundado em 1686, no centro dos acontecimentos do período revolucionário...

            Johnny Hallyday est mort!”. Tristeza transformando a patina do inverno em um cenário para a partida do grande ídolo da música francesa, conhecido como o Elvis Francês. Capela Ardente na Igreja de La Madeleine, a elite francesa reverenciando e celebrando a vida do artista. Multidão na Praça da Concordia e na Avenida dos Champs-Élysées, um último adeus ao cantor, dançarino de rock n’roll e twist que por décadas simbolizara o popular, o palpável, a identidade musical do povo francês.

Palmarí H. de Lucena, membro da União Brasileira de Escritores





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